segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Pertencemos sem ter
Somos sem saber
Se o que achamos ser
Reconhecemos ao viver.

Ensaiamos despedir
Voltamos sem lugar
Desmedido querer
Palavreamos sem pronunciar.

Oceano a transbordar
Entrelaçadas a sós
Perseguimos desatar
O nó, entre nós.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Perda eminente
Memórias de uma vida
Refúgio saliente
Rua sem saída.

Casa vazia
Presença constante
Difícil disfarçar
O que ali se desfazia.

A esperança abriga
Agrilhoados ao carrossel 
Anestesia sentimentos
Escritos neste papel. 




E o receio da descoberta
Do íntimo explorado
Meio à janela aberta
É como ter o sonho espiado.

Esse terreno particular
Tratado como tesouro
Sem permissão para quebrar
Seu casulo de ouro.

Quanto segredo permeia
Essa mente inquieta
Já com palavras é como se vivesse
Em constante dieta.

Todo esse mistério é só desculpa
Artifício que soube criar
Para omitir sua culpa
Por não saber se expressar.





E a vida se vai
Basta um simples sopro
Numa tristeza só seu mundo recai
Até a busca de um sentido outro.

A mente em tudo pensa
Indaga o que realmente importa
O que na vida compensa?
Quanta dor o coração suporta?

Perdemos um pouco a cada dia
Perdemos o mundo num só instante
Como se em uma mesma noite
A lua cheia se tornasse minguante.

Agora é preciso sentir
Sem ver, nem tocar
E como é puro o sentir em si
Sem outros verbos conjugar.



De pensar que ainda ontem
Éramos íntimos a prosar
Hoje os dois em silêncio consentem
Uma estranheza a nos rondar.

Penso em querer ser sua
Mas talvez não consiga demonstrar
E você meio de lua
Minha coragem faz minguar.

A verdade devo logo cuspir
Mas no fundo ainda receio
Você seu caminho seguir
Largando-me pelo meio.

Difícil essa coisa de querer
Sem a certeza do sim
Como uma aranha a tecer
Uma teia sem fim.




Tendo a esperança como alimento
Sem comer, contanto
A moça implorava ao vento
Levar todo desencanto.

De seu aposento
Espiava a vida passar
Pedindo com tamanho argumento
Outro alguém para amar.

Não obtinha resposta
Culpava o tempo, ansiosa.
À beira de adoecer
A moça só queria esquecer.

Coitado do tempo
Não pode agir sozinho
Tem de esperar a moça
Sair do seu ninho.

Enfim passarinho
Pôde voar
Trilhou seu caminho
Sem ninguém para culpar.